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Guerra Colonial - Efectivos

Aspectos Militares

Efectivos

Militares

  Após a Segunda Guerra Mundial, adensam-se, mais uma vez, as nuvens de ameaça sobre o Império Colonial Português que , sabe-se, os seus pés de barro. Embora com lentidão, o regime trata de reestruturar o aparelho militar.  
  Macau está sobe constante ameaça da Revolução Chinesa, e na Índia é tudo uma questão de tempo. Quando a guerra começa em Angola (4-2-1961), há militares que se levantam. Convencidos da impossibilidade de uma solução militar, chegam mesmo a fazer uma tentativa de golpe de Estado ( General Júlio Botelho Moniz, 13 de Abril), mas o regime endurece as suas posições, mantém-se surdo e mudo. Apesar disso, as Forças Armadas, dispondo de efectivos reduzidos e meios obsoletos, não tinham capacidade de resposta. 
  Inicialmente, o regime tenta minimizar os acontecimentos e fala de “ acções de polícia” para manter a ordem. Mas enquanto a guerra de Angola ganhava terreno, desenvolvida a norte pelo U.P.A. (depois F.N.L.A.), de Holden Roberto, e a leste pelo M.P.L.A. de Agostinho Neto ( a U.N.I.T.A., de Savimbi, só aparece em 1966) o P.A.I.G.C. inicia a luta armada na Guiné, em meados de 1962,e a F.R.E.L.I.M.O., em Moçambique, no segundo semestre de 1964. 
  No final de 1960, o dispositivo militar em Angola limitava-se a três regimentos (Luanda, Nova Lisboa/Huambo  e Sá da Bandeira/Lubango), dois batalhões de Caçadores (Cabinda e Carmona/Uíge), um grupo de reconhecimento e um batalhão de Engenharia, num total de 6 500 militares, dos quais 1 500 metropolitanos. Um ano depois 33 mil, valor que foi subindo sempre até 1965, ano em que se cifror em 57 mil. No ano seguinte, baixou e, com algumas, oscilações ( 55 mil, em 1970, foi o mínimo), ultrapassou os 60 mil, em 1971, atingindo o valor mais alto ( 65 mil) em 1973. 
  O efectivo , em moçambique, começou a ser reforçado logo em 1961 ( 11 mil homens), aumentando até 1973, ano em que se cifra em 51 mil. Na Guiné, de cerca de 5 mil homens , passando para 9 mil, em 1963, número que cresce sempre, até atingir 32 mil, dez anos depois. 
  Feitas as contas, os efectivos militares nas três frentes de guerra, em 31 de Dezembro de 1973, totalizavam cerca de 149 mil homens. A campanha Africana começara em 1961 - quase 13 anos que mudaram Portugal.

Mortos 

  Durante os 13 anos de Guerra, e segundo elementos íncluidos na Resenha  Histórico-Militar das Campanhas de África (1961-1974), registou-se um total de 8 290 mortos nas três frentes de combate. 
  O subtotal mais elevado refere-se a Angola (3 258), embora a exiguidade do território leve a ter de se referir a Guiné, com 2 070. 
  A grande maioria dos que morreram caiu em combate, e aqui o número mais elevado registou-se em Moçambique (1 481); seguem-se Angola (1 306) e Guiné (1 240).
Feridos 

  O número é dificil de calcular. A Associação de Defecientes das Forças Armadas presta serviços a 13 mil sócios, todos, portanto, portadores de “ deficiência permanente e adquirida durante o serviço militar”. Mais cerca de 3 mil processos aguardam solução. Estimativas apontam para um total de 30 mil deficientes. Não custa aceitar que o número de feridos, com maior ou menor gravidade, é bastante mais elevado, até porque, em muitos caso, os ferimentos não deixaram marcas. Muitissimo mais alto é o número de afectados, sobretudo a nível psiquico. Médicos têm estudado o fenómeno, calculam em cerca de 140 mil os antigos militares “stress de guerra”,uma doença mais grave do que se supõe. 
  Mas há outra ferida que as próprias autoridades procuram esconder o mais possível : os desaparecidos. Recentemente, a Grande Reportagem, escrevendo sobre estes “ heróis sem regresso”, dizia que “ de 1971 a 1973, há no Diário de Notícias nove referências a desaparecidos de combate”. E nos dez anos anteriores ?  
  Ninguém vai acreditar que não haja números oficiais.  Talveez á medida que o tempo passe, sejam criadas as condições para exorcizar defenitivamente o fantasma da guerra, de modo a que ninguém fique submergido pela capa do silêncio.

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