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Coleções - Legislação - Galvão de Melo está atento (Intervenção na RTP - 27/5/74)

GALVÃO DE MELO ESTÁ ATENTO
(INTERVENÇÃO NA RTP -27/5/74)

Com data de 22 de Maio, recebi uma carta que, embora dirigida à Junta de Salvação Nacional, vinha ao meu cuidado. Escrita por um só português, poderia ter sido escrita por todos os portugueses autênticos. Vale a pena torná-la conhecida. Por isso aqui estou. Ora escutai:
«À Junta de Salvação Nacional:
Aderi, desde a primeira hora, ao Movimento das Forças Armadas e ao programa da Junta de Salvação Nacional.
Não represento ninguém, senão eu próprio, mas, passadas quatro semanas sobre o 25 de Abril, começo a perguntar, e não obtenho resposta, se isto será a LIBERDADE que o Povo Português sonhava:
- Isto que é libertarem-se terroristas sem Pátria e transformá-los em heróis nacionais!
- Isto que é permitir-se e fomentar-se a «caça ao homem», o insulto gratuito, as ofensas corporais, saque de casas!
- Isto que é boicote de alguns, criado nas estações oficiais de rádio e televisão, com noticiários vergonhosos e impunemente parciais, em que os próprios locutores se permitem as atitudes mais impróprias, e nos martelam com programas e reportagens de nível baixo de todos os limites, não permitindo pôr a claro as meias verdades e as mentiras propagadas nas emissões que são pagas por todos nós; e tudo isto sem que nenhum locutor ainda tenha sido suspenso, como já teria acontecido em qualquer país civilizado!
- Isto que é permitir-se a ignóbil transcrição, em jornais que estão ao alcance de qualquer criança, do comunicado das prostitutas e dos homossexuais, numa demonstração de amoralidade sem precedentes em qualquer país em que a Família e a Moral existem ainda como valores!
- Isto tudo será a liberdade?
A resposta a isto tudo começam a dar os jornais estrangeiros, e bem insuspeitos, que já troçam e nos apontam como a Democracia Carnavalesca.
Em consciência, portanto, não podia deixar de me dirigir à Junta de Salvação Nacional e manifestar as minhas enormes apreensões pelo clima de anarquia que se vive e respira a todos os níveis e que está em total desacordo com a Liberdade responsável que o Movimento das Forças Armadas veio trazer aos portugueses da metrópole e do ultramar.
Por último, pergunto:
- Poderá o País aguentar a crise económica que dia a dia se vai desenhando diante de todos, com a paralisação da indústria e do comércio, com o aumento do desemprego, como consequência da falência inevitável de pequenas e médias empresas que soçobram perante exigências demagógicas de oportunistas, que se dizem representar o trabalhador honesto, o qual, na sua boa-fé, assim se deixa enganar por gente sem escrúpulos?
Que Deus guarde Portugal!»
Aqui termina a carta que foi escrita por um só português e poderia ter sido escrita por todos os portugueses autênticos que nesta hora me escutam.
Não vou comentar, em detalhe, a carta que acabei de vos ler: concordo com o autor nas suas preocupações fundamentais, e tanto me basta.
Portugueses:
No Mundo, existe um valor: o Homem.
Neste Homem devemos entender todos os homens: o ministro, que noite dentro cogita preocupado sobre o que será melhor para o povo que nele confia; e o cavador, que, de sol a sol, fecunda a terra com o esforço dos seus braços robustos. Ambos são dignos do nosso respeito e do nosso agradecimento... quando ambos cumprem até ao limite das capacidades com que os dotou a Natureza ou ulterior circunstância de acaso.
Foi para este Homem - para estes dois homens - que certa juventude militar, amadurecida no drama africano, se levantou cedo na madrugada de 25 de Abril e, unânime e decidida, abriu de par em par as portas da liberdade ao homem português:
- A liberdade de pensar e se instruir;
- A liberdade de criar ideias próprias e as discutir com o seu igual, o homem da cidade e o homem do campo, para, ambos, encontrarem a melhor ideia e a mais digna;
- A liberdade de todos os Portugueses escolherem o que melhor for para todos os Portugueses.
É esta - e não outra - a Liberdade que a Junta de Salvação Nacional tomou a seu cargo respeitar e defender. É esta - e não outra - a Liberdade que a juventude heróica dos capitães depositou nas mãos experimentadas dos generais.
Estamos atentos, também nós, provavelmente antes de quaisquer outros, e breve nos demos conta do mau uso que se vem fazendo da Liberdade oferecida ao povo de Portugal, vai decorrido um mês.
É verdade que muita coisa nos desgosta, e quase espanta a ingratidão que é tão maltratar aquilo que com tanta emoção e dignidade foi oferecido!
Mas, talvez, o que se vê e ouve, tão contrário ao bem comum por que todos ansiávamos, seja apenas o gesticular grotesco, o vozear desafinado, de uns poucos que nunca pegaram na enxada para cavar o pão que comem por excesso ou jamais puderam conceber idades que mereçam a pena ouvir sem que no-las gritassem.
Também há os que nada querem senão o mal...
Teremos de os ensinar, usando de certa paciência e da firmeza necessária.
Porém - e é esta a nossa grande esperança e veemente desejo -, pode ser que o que se vê e ouve, tão contrário ao bem comum por que antes todos ansiávamos, não seja outra coisa que o despertar tumultuoso de um povo inocente que ousa os primeiros passos num caminho seu desconhecido: o longo e difícil caminho da Liberdade.
Esteja atento, mas tranquilo, o autor da carta; estejam atentos, mas tranquilos todos os Portugueses.
As Forças Armadas cometeram-se a missão de libertar o povo de Portugal.
Podem ficar com a certeza de que cumpriremos!
Somos homens de fé. Não abdicamos da causa começada.

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