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Coleções - Legislação - Spínola em Mafra (14/8/74)

SPÍNOLA EM MAFRA

(14/8/74)

Para além das funções militares que desempenho, como Presidente da República, falo-vos, neste momento, apenas como militar, como soldado. O soldado que, orgulhosamente, passou a sua vida comandando soldados, entre soldados, vivendo e sentindo intensamente os problemas dos seus soldados.
Soldado que se orgulha, neste momento, de vir prestar homenagem à arma de infantaria.
Aljubarrota, Nun'Alvares Pereira, Dia da Infantaria! Um facto histórico da nossa Pátria. O maior entre os maiores da nossa Pátria! A data da consagração de uma arma. Arma que, através de todos os tempos, foi aquela que mais legitimamente representou a grande massa do povo português. Arma em que, para além do aperfeiçoamento material, sempre imperou o homem, o infante, na plenitude dos seus recursos próprios.
Se, dentro do Exército, alguma arma se pode vangloriar de representar em toda a extensão o conceito de povo em armas, essa será a arma de infantaria. Rainha das armas, arma do sacrifício. Arma em que o homem, ao longo do tempo, vem sendo elemento básico.
Bem hajam todos aqueles que nesta escola têm sabido transmitir, de geração em geração, as características de uma arma e as qualidades intrínsecas dos seus oficiais.
A nossa infantaria esteve presente em todos os actos da nossa, história.
Vemo-la, já nos nossos tempos, em França, na lama das trincheiras; vemo-la embrenhada nos inatos de África, escrevendo na História do Mundo, ao lado de cavaleiros, artilheiros e marinheiros, as mais brilhantes páginas de que se pode orgulhar uma Pátria; vemo-la, mais recentemente, no nosso ultramar, sofrendo na sua carne uma guerra que nos foi imposta ao longo de treze dolorosos anos. Vemo-la, finalmente, no quadro de legítima representante da grande massa do povo português, no 25 de Abril, onde as unidades de infantaria, no seu conjunto, tendo como cúpulas as companhias desta Escola Prática, desempenharam um papel decisivo na hora crítica, na hora da dúvida, na hora da incerteza, na hora em que foi necessário ter coragem para superar a indecisão.
Mais uma vez vemos a arma de infantaria, através das suas unidades, bater-se por um ideal nobre; pelo ideal da Pátria, nesse momento traduzido na sua libertação.
Bater-se pela liberdade e pela institucionalização da Democracia em Portugal.
Duas palavras, essas, dirigidas directamente, às quatro companhias que actuaram em Lisboa na madrugada de 25 de Abril. E, neste momento, o meu pensamento vai para o exemplo dos capitães que as comandaram.
Nobre exemplo de dedicação integral à Pátria; nobre exemplo do conceito, tão militar, de «missão cumprida». Fostes grandes entre os grandes, ao prestar tão alto serviço à Pátria e ao saberdes regressar às vossas unidades sem nada pedir, e apenas continuando a cumprir o vosso dever de militares dentro da hierarquia militar.
Era isto que eu aqui entendi dever dizer neste momento, que eu, tantas vezes, tenho afirmado ser histórico e crítico da vida da Pátria.
Histórico, para vós, para a grande massa dos portugueses que acreditam na pureza do Movimento das Forças Armadas, que acreditam no idealismo que esteve na sua origem.
Crítico, no campo da conduta, no campo da conduta política em que alguns desvios temos verificado, da linha pura que presidiu ao Movimento e à elaboração do seu Programa.
Quero aqui, porque tendes o direito de o exigir, dar-vos a certeza, com a minha presença e a do chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas de que podeis confiar - que não consentiremos que alguém se desvie da linha dos ideais que nos animaram na madrugada de 25 de Abril.
Estamos firmemente determinados a que esses objectivos - Justiça, Liberdade e Democracia - sejam atingidos. Mas, para tanto, temos de continuar vigilantes. O 25 de Abril só atingirá plenamente aqueles objectivos quando a vida do País se normalizar; quando voltar efectivamente à paz; a paz nos espíritos e nas consciências.
E todos temos a convicção de que neste clima de aparente tranquilidade, muitos portugueses têm problemas de consciência.
A paz não entrou ainda no coração de todos os portugueses. E só entrará, de facto, e as Forças Armadas só cumprirão, de facto, essa sublime missão, quando se conquistar, efectivamente, a autêntica democracia e a autêntica liberdade, no respeito por nós próprios e no respeito pelos outros.
É essa a garantia que a minha presença nesta Escola, e a do general chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, vos pode trazer: que enquanto permanecermos no topo das responsabilidades das Forças Armadas podeis ter a certeza de que não consentiremos desvios da pureza que a todos nos animou.
Formulo votos para que encontreis sempre, pela vida fora, renovadas energias para garantir a plena prossecução dos vossos ideais e objectivos.
Assim o exige e impõe o interesse superior da nossa Pátria.

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