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Coleções - Legislação - Costa Gomes encerra a campanha eleitoral (24/4/75)

COSTA GOMES ENCERRA A CAMPANHA ELEITORAL

(24/4/75)

No eterno devir da História, poucas horas caíram sobre o encerramento da primeira campanha eleitoral do Portugal novo, mais independente e mais livre.
Entrámos no período que a lei e o bom-senso destinam à meditação dos eleitores na antecâmara de uma transcendente decisão. Vamos escolher e votar no partido que a consciência nos indique como o mais apto a intervir no futuro do povo que somos.
«Procurarei integrar-me bem nos objectivos do MFA ao cumprir a minha missão de dirigir uma palavra amiga ao povo a que orgulhosamente pertenço.
Desempenharemos todos amanhã o acto decisivo do esquema eleitoral, a colocação nas urnas do nosso boletim de voto.
Sobre o valor deste acto da vontade, temos ouvido opiniões variáveis, desde um extremismo de o considerar supérfluo e nefasto, ao outro extremismo de o considerar como essência de todo o pensamento e teorização da ciência política.
No estádio actual da civilização humana, a vontade popular é a verdadeira fonte do poder político.
A determinação desta vontade colectiva, quando feita por um esquema eleitoral, como toda a obra humana, incorpora alguns defeitos, a par de muitas virtudes e certezas.
Hipertrofiando uns ou outras, é possível construir raciocínios que condenem ou sacralizem a aplicação de um sistema eleitoral.
Seja como for, dentro dos actuais conceitos da ciência política, as soluções eleitorais são aquelas que melhor garantem a definição da vontade popular e, quando pluralistas, têm a altíssima vantagem de garantirem permanentes ratificações ou correcções.
Acreditamos sinceramente que, ao escolher esta via de análise, democrática e pluralista, o MFA ofereceu a melhor das soluções possíveis ao seu representado e aliado, o povo de Portugal.
Considerada indiscutível esta solução, façamos todos o balanço da importante fase já concluída, a campanha eleitoral, onde o povo e os partidos desempenharam os papéis fundamentais.
Não nos alarmemos com certos desvios a que gente simples e boa se deixou conduzir por agitadores pseudo-revolucionários e reaccionários de extremismos opostos. Em termos gerais, com saldo altamente positivo, o povo demonstrou elevado civismo e suficiente politização para desarmar intelectuais paternalistas, observadores pessimistas e os arautos das convulsões sociais.
O povo mereceu um voto de confiança no futuro.
Quanto aos partidos, não generalizemos culpabilidades esquemáticas. Havemos de colocar fora da análise os utopistas, os cultivadores do ódio e da violência, manipuladores do substrato inferior do inconsciente colectivo.
Considerando apenas os partidos autênticos, resolvemos as poucas atitudes discutíveis para sublinhar o amplo contributo dos esforços sérios de acção didáctica e esclarecimento democrático que souberam realizar.
Mereceram um voto de esperança na democracia pluralista do socialismo português em gestão.
Fechemos aqui o balanço do passado próximo e reportemo-nos ao futuro imediato, o exercício do voto no dia memorável de 25 de Abril de 1975.
Votar é um dever de consciência, votar conscientemente é um dever nacional.
Procuraremos todos com afinco estudar a decisão final, se ainda não a tivermos feito, com a certeza de que o essencial é exactamente esse esforço de procura, essa decisão como acto último da vontade política de um povo que quer ser livre.
Nas grandes crises políticas da nação, o povo português sempre decidiu com uma consciência intuitiva, que ultrapassou em validade a consciência racionalista de elites amolecidas.
Eu acredito no progressismo empírico do povo que somos. Escolheremos entre os partidos autênticos que não barram a via socialista e que nos prometeram o pluralismo essencial ao exercício da liberdade.
Ao terminar, considerada indiscutível a necessidade de votar, desejo sublinhar também a extraordinária importância de que este 25 de Abril seja um dia onde imperem a ordem e a serenidade característica do povo português.
No plano nacional, o clima tranquilo, afastará fantasmas ideológicos; muitos privilegiados do antigo regime temem menos os prejuízos materiais do que os indefinidos terrores políticos que a ditadura inculcou no seu inconsciente colectivo.
No plano externo, o civismo calmo que todos esperamos recordará ao Mundo que meio século de ditadura não destruiu os valores sociais de oito séculos de história ímpar.»
 

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