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Coleções - Legislação - Costa Gomes (1.deg. de Maio de 1975)

COSTA GOMES

(1.º DE MAIO DE 1975)


Mulheres e homens de Portugal: a liberdade é a pedra angular da dignidade humana, a liberdade é o bem precioso que homens sem sono nem medo ofereceram ao povo de Portugal.
É, pois, uma grande alegria, digna dos trabalhadores de Portugal, alegria de, pela segunda vez, festejarmos o 1.° de Maio com plena liberdade de pensar, de sentir a nossa Pátria, e de traçar os nossos destinos.
Trabalhadores somos muitos, somos todos aqueles que, em troca de uma remuneração, oferecem a força generosa dos seus braços ou a honesta capacidade dos seus cérebros ao serviço de uma sociedade nova, Pensamento e acção são duas realidades fecundas quando coexistem. Qualquer delas, quando isolada, é um sonho que fenece estéril.
Trabalhador sem horário, sinto-me entre camaradas de trabalho, quando, mais uma vez, presto ao povo português o tributo de uma palavra amiga e fraterna.
Não poderia resistir ao impulso de me referir às eleições, sobretudo porque iludiria um dever e uma esperança generalizada.
Nas eleições, os grandes vencedores foram o povo e a sua aliança com o MFA, o Portugal renovado em transição para o socialismo.
Podem os intelectuais puristas discutir se o povo votou exactamente no que queria, mas nem os puristas podem negar que o povo declarou vigorosamente o que não queria. O Portugal de hoje não aceita extremismos, sejam eles das direitas sejam eles esquerdistas.
É uma tentação referir aqui, que, na comunicação que fiz antes das eleições, sublinhei que o povo português sempre decidira com uma consciência intuitiva mais válida do que a de elites amolecidas, e frisei bem quanto acredito no progressismo empírico do povo que somos.
Nestas eleições, em civismo classificá-lo-ia de óptimo e, em intuição, de excelente.
Como o nível de exigência é diferente não daria a mesma classificação a todos os que se consideram entidades políticas em Portugal.
Estas eleições, na opinião pública mundial que subscrevo, são a maior vitória da Revolução, o selo de ouro que garantiu a proclamada aliança Povo-MFA, confirmou a política de descolonização e sancionou o rumo do socialismo para o Portugal novo.
Perdoai a imagem de militar que sempre serei:
Quem ganha uma batalha passa à exploração do sucesso sem se preocupar em minimizar a vitória só porque entenda diminuta a instrução das suas tropas.
Mesmo que a informação pública mantenha a tónica de tecer extrapolações a partir de casos individuais de ignorância total da ciência política, manterei firme a minha fé na intuição magnífica do povo que votou no progressismo autêntico e livre dos seus filhos fardados - no progressismo do MFA.
Não considero esgotado o assunto eleições sem uma outra referência justa.
Recordemos a genética, quando, em leis, define que, nas espécies vivem, existem percentagens menores de indivíduos que se afastam dos caracteres dominantes e constituem franjas limites na curva da distribuição.
Também nas sociedades humanas haveremos de reconhecer formações políticas limites nos dois extremos da distribuição, correntes que haveremos de respeitar enquanto, reciprocamente, saibam respeitar a sociedade a que pertencem.
Nestas eleições, quem pode negar que haja sido digno o comportamento dos bilaterais extremismos políticos portugueses, no momento em que, acima de todas as ideologias, colocaram a ordem e a tranquilidade do povo a que pertencem
Feliz é a sociedade que tem franjas, mas não formações políticas violentas e aberrativas.
Já vai longe a dissertação sobre eleições; vejamos agora os problemas maiores que a Revolução terá de enfrentar: educação e economia.
Em educação colocam-se dois problemas distintos:
- A necessidade de realizar uma revolução cultural que, em todas as classes actuais, crie uma vocação voluntarista sem classes, sem ricos nem pobres, sem privilegiados nem explorados, para o socialismo português.
- A necessidade de mentalizar os nossos jovens para o facto de que já estamos nos caminhos que conduzem à sociedade nova.
Tempos houve em que foi prioritária a sua luta política e se justificou o abandono dos livros, das aulas, dos estudos. Tudo mudou já. Agora estudarão os mais aptos, os mais voluntariosos e dedicados, os futuros trabalhadores do pensamento. Os outros devem passar à acção, contribuindo com a força do seu trabalho no desafio grande de produzir riqueza directa, socialmente útil.
Apesar da explanação que o sr. primeiro-ministro fez, não deixarei, em todo o caso, de abordar o essencial da batalha da economia.
Da total transformação dos princípios e rotinas capitalistas no rumo de uma distribuição justa da riqueza produzida para benefício das classes sem privilégios, salientam-se algumas consequências:
- Turbulência instável nas relações empregador-empregado;
- Vazios angustiantes na legislação e princípios que regem a autoridade democrática de um sistema de produção;
- Inevitáveis alucinações de alguns homens sequiosos dos seus direitos, tanto trabalhadores como capitalistas.
Deste e doutros fenómenos resultou carência de meios e de confiança para investir, enquanto vivemos perigosamente acima dos nossos rendimentos, numa economia estagnada.
A vitória da batalha económica vai exigir-nos mais sacrifícios, mais esforços, mais produtividade, mais disciplina e mais autoridade democrática no trabalho.
Vou terminar.
Neste segundo ano da Revolução Nacional, festejemos o 1.° de Maio, na grande festa do trabalho e das Forças Armadas.
Saúdo os trabalhadores de todas as actividades, saúdo os militares de todos os ramos.
Bem hajam os trabalhadores estrangeiros que, por simpatia ou dever de função, se deslocaram a Portugal, para viver connosco esta festa grande.
Bem hajam os emigrantes, as mulheres e os jovens aqui presentes na festa nacional do trabalhador português.
Viva a aliança Povo-MFA. Viva o trabalho e os trabalhadores. Viva Portugal.

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