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Espólio de Augusto José Monteiro

I N V E N T Á R I O   D E   E S P Ó L I O
 
 
Augusto José Monteiro
 
 
 
 
• MONOGRAFIAS
 
LEAL, José Crisóstomo Gomes Bação - Poesias e cartas / José Bação Leal . - [S.l. : s.n.], 1971. - 160 p.
 
 
 
Nota biográfica
 
JOSÉ CRISÓSTOMO GOMES BAÇÃO LEAL

O que dói na lembrança deste jovem que a guerra colonial roubou à vida em Setembro de 1965- faz agora 40 anos -, é a lucidez e a amargura com que caminha em direcção ao fim pressentido. José Bação Leal é hoje um símbolo de milhares de vidas cortadas à vida pela obstinação de uma política cega: aquela que inventou a ideia supremamente estúpida de “Portugal, um país que vai do Minho a Timor”.
Muitos fugiram à guerra emigrando. A maioria teve de suportá-la, na Guiné, em Moçambique ou em Angola. De 1961 a 1974 os jovens de Portugal eram recrutados para uma missão que a comunidade internacional condenava mas que Salazar e Marcelo Caetano defendiam “orgulhosamente sós”!
Um desses jovens chamava-se José Crisóstomo Gomes Bação Leal, nascido em Lisboa em 1-7-1942. Inteligente e de invulgar sensibilidade, escreveu poemas que chegaram até nós porque a mãe os recuperava carinhosamente do cesto dos papéis para onde ele os mandava, na impaciência dos vinte anos. Atento às ideias do seu tempo, lia os grandes autores e deles dava conta em muitas cartas aos amigos.
Não escapou ao recrutamento militar. Primeiro em Mafra, depois nos Rangers de Lamego, foi levado para o norte de Moçambique “para combater os terroristas” – na linguagem, essa sim terrorista, de Kaúlza de Arriaga. Insofrido com as injustiças do colonialismo e a arrogância dos senhores da guerra, enfrentou-os pela palavra e pelo gesto. Não lhe perdoaram. Atiraram-no para onde a guerra era mais acesa. Morreu numa emboscada perto de Nampula, em 1 de Setembro de 1965.
Em 1971 seu pai e um grupo de amigos publicaram um livro intitulado “POESIA E CARTAS”, com os textos de José Bação Leal. Um pequeno prefácio de Urbano Tavares Rodrigues salientava a sua extraordinária dimensão humana e literária.

Estes textos são hoje um impressionante libelo contra a guerra colonial, contra todas as guerras. Como diz Urbano T. Rodrigues:

«Além de nos fazer conviver humana e esteticamente com quem teria porventura vindo a ser – não lhe houvessem truncado a vida a crueldade e a insânia que ele denuncia – um dos maiores escritores da língua portuguesa do nosso tempo, este livro fica para sempre, no seu valor testemunhal, como um marco histórico, resumindo a agonia e o martírio de tantos e tantos jovens... O seu testamento – este maço de cartas, este punhado de versos – toma o valor de um legado escrito com sangue, de um eco que nenhum vento repressivo poderá apagar, senão que há-de ampliar-se, em sementeira de som, até ao triunfo do que foi para José Bação Leal razão de viver e morrer: a glória da paz e da justiça.»

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