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O Pulsar da Revolução.Novembro 1973

1 de Novembro
•Aparecimento de nova circular da Comissão Coordenadora, defendendo a necessidade de uma reacção colectiva e uniforme aos eventuais procedimentos disciplinares sobre os oficiais da Guiné que assinaram a exposição de 28 de Agosto.
 

2 de Novembro
•Enviado novo comunicado do Movimento em que se referem contactos havidos com capitães oriundos de milicianos, com vista a colaboração futura.
 

4 de Novembro
•Reunião de ex-milicianos em Porto de Mós. Estudam os caminhos a seguir perante a suspensão dos decretos. Elegem a direcção do seu movimento, de que fazem parte, entre outros, Alberto Ferreira e Virgílio Varela.
 

6 de Novembro
• Reunião da Comissão Coordenadora em casa de Mariz Fernandes. Manifestam-se os primeiros atritos no seio da Comissão, e discute-se uma longa agenda de trabalhos. Foi aprovado um regulamento da mesa que seria utilizado nas reuniões do Movimento, assim como um carimbo que tinha como símbolo o Templo de Diana.
 

7 de Novembro
•Remodelação ministerial no Governo de Marcelo Caetano: Sá Viana Rebelo e Alberty Correia são exonerados e substituídos respectivamente por Silva Cunha na Defesa, e por Andrade e Silva no Exército. A chefia do Ministério do Ultramar passa para Baltasar Rebelo de Sousa. Viana de Lemos assume a pasta de Subsecretário de Estado do Exército.
 

11 de Novembro
•Encontro entre os capitães  Diniz de Almeida ( ex-cadete) e Alberto Ferreira ( ex-miliciano) para tentar sanar o conflito existente entre oficiais de carreira e oficiais milicianos.
 

12 de Novembro
•Reunião da Comissão Coordenadora em Aveiras de Cima. Agudizam-se os conflitos no seio da Comissão: por um lado Mariz Fernandes e Sanches Osório, visando a solução de problemas profissionais na mais estrita legalidade;  por outro, Vasco Lourenço e Diniz de Almeida, defendendo o avanço qualitativo  do movimento, sem exclusão de qualquer hipótese. Tal facto leva à demissão da Comissão Coordenadora a qual se passa a considerar em funções apenas até à eleição, pela Comissão Consultiva, de uma nova Comissão Coordenadora.
 

15 de Novembro
•Reunião do Movimento em casa de Salgueiro Maia em Santarém. Sousa e Castro, Freire Nogueira e Rosado da Luz referem os contactos estabelecidos com  o Coronel Frade Júnior, amigo do General Kaúlza de Arriaga, em que este último procura obter o apoio do Movimento para o seu projecto de tomada do poder.
 

22 de Novembro
•Constituição de uma Comissão do Movimento de Deficientes, formada por Lavoura Lopes, Calvinho e Guerreiro. Elabora um documento reivindicativo na esteira das posições assumidas pelo Movimento dos Capitães.
 

24 de Novembro
•Reunião do Movimento dos Capitães na Casa da Cerca em S. Pedro do Estoril. Participam 45 oficiais representantes das principais unidades do país. Inicia-se assim uma segunda fase do Movimento, marcadamente política. O Tenente coronel Luís Banazol faz uma intervenção ousada: " [...] Não tenhamos ilusões: o Governo só sai a tiro e os únicos capazes de o fazer somos nós, mais ninguém!" Os delegados são solicitados a levarem das suas unidades para o próximo plenário, resposta  sobre as vias a prosseguir:
1ª hipótese - "Conquista do poder para, com uma Junta Militar, criar no país as condições que possibilitem uma verdadeira expressão nacional ( democratização )";
2ª hipótese - "Legitimação do Governo, através de eleições livres, devidamente fiscalizadas pelo Exército, seguindo-se um referendo sobre o problema do Ultramar";
3ª hipótese - "Utilização de reivindicações exclusivamente militares, como forma de alcançar o prestígio das Forças Armadas e de pressão sobre o Governo, com vista à obtenção da 2ª hipótese."
Além de uma  opção sobre uma das hipóteses, deverão ainda os delegados no plenário do dia 1 de Dezembro, ser portadores de  resposta às seguintes questões:
 1ª questão - "Deve o assunto ser circunscrito ao Exército ou alargar-se ao âmbito das Forças Armadas?
 2º questão - "Como será constituída a próxima Comissão Coordenadora? Quem a constituirá e que funções terá?"
 3ª questão - "Devem ou não escolher-se chefes militares de prestígio, aos quais nos liguemos e  que orientarão politicamente a nossa acção, face a uma das três hipóteses ? Em caso afirmativo,  qual ou quais os chefes a eleger? "
Decidiu-se ainda  constituir e eleger uma Comissão Coordenadora definitiva verdadeiramente representativa do Movimento e alargada pela primeira vez a tenentes coronéis e outras patentes mais elevadas. Mariz Fernandes não comparece à reunião por considerar a clandestinidade desta uma deslealdade para com Viana de Lemos, novo Subsecretário do Exército.
 

28 de Novembro
•É enviada uma informação redigida por Diniz de Almeida  que refere "manter-se a operação de recolha de opiniões quanto ao rumo a seguir" e que conclui que "embora seja um pouco prematuro afirmá-lo, a grande força das opiniões vai para a primeira e segunda hipóteses, com muito pouca votação para a terceira."
 

Ainda em Novembro
•Os capitães oriundos de milicianos elaboram um documento dirigido aos camaradas oficiais milicianos que pretende ser um alerta para o que consideram ser "manobras" dos oriundos de cadetes. Tal documento provoca a resposta dos ex-cadetes num panfleto intitulado "Dos milicianos aos pseudo- milicianos". 
•Henrique Troni, enviado por Kaúlza, fala com Hugo dos Santos, tentando convencê-lo da necessidade de apoiar o projecto de Kaúlza.

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