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O Pulsar da Revolução.Agosto 1975

Primeira semana
•Aparece o autodenominado Exército de Libertação do Arquipélago da Madeira, com um comunicado em que reclama a Madeira para os madeirenses, afirmando que "o povo não suporta mais lacaios às ordens de Lisboa". (JSC)
 

1 de Agosto
•Costa Gomes discursa na Conferência de Segurança e Cooperação Europeia, em  Helsínquia. 
•Reunião de Vasco Gonçalves e Otelo Saraiva de Carvalho, com oficiais do COPCON. Nove oficiais do COPCON foram retirados da unidade após um plenário.
 

2 de Agosto
•Na Margem Sul elementos alegadamente pagos por empresários do sector corticeiro disparam sobre militantes de esquerda que distribuíam propaganda de apoio à luta dos operários daquele sector.
•Na reunião da Internacional Socialista celebrada em Estocolmo, é criado o Comité de Apoio ao Socialismo Democrático em Portugal.
•Uma delegação do CR composta por Rosa Coutinho, Carlos Fabião e Sousa e Castro desloca-se a Angola para observar a situação político-militar.
 

3 de Agosto
•Em Coimbra realiza-se uma manifestação de apoio ao Episcopado.
•Realiza-se o Primeiro Encontro dos Trabalhadores das Cooperativas Agrícolas de Beja. É pedido ao Governo rapidez na concessão de crédito e apoio no escoamento dos produtos.
•Assaltadas as sedes do PCP e MDP/CDE em Póvoa do Lanhoso.
•Em Famalicão o MFA intervém para impedir o assalto e a destruição da sede do PCP.
 

4 de Agosto
•Realiza-se no Quartel General da RML uma reunião de militares em que estão presentes Otelo Saraiva de Carvalho, Costa Gomes, Vasco Gonçalves e os restantes conselheiros da Revolução, além de representantes das diversas unidades de Lisboa. Vasco Gonçalves tenta formar um Governo forte apoiado pelo COPCON mas Otelo Saraiva de Carvalho recusa-lhe esse apoio.
•Plenário da Unidade no Regimento de Comandos. Preside Otelo Saraiva de Carvalho, que repõe a autoridade de Jaime Neves, faz uma "autocrítica revolucionária" e anula o comunicado anterior do COPCON.
•Integrado na Juventude Musical constitui-se um grupo de recolha e divulgação de música popular portuguesa tendo como referência  o trabalho desenvolvido nesse campo por Fernando Lopes Graça e Michel Giacometti.
 

5 de Agosto
•Comandos militares reafirmam confiança em Vasco Gonçalves.
•O Ministro da Comunicação Social, Correia Jesuíno, divulga um projecto de lei sobre Informação que desencadeia forte contestação no sector.
 

6 de Agosto
•Encontro de Vasco Lourenço com Costa Gomes que acaba sem qualquer entendimento: Costa Gomes dá posse ao 5º Governo Provisório e o "Grupo dos Nove" torna público o seu documento.
•É publicado o D. L. nº 409-B/75 que visa "resolver com eficiência a situação profissional dos agentes portugueses que tenham pertencido aos Serviços do Estado nos territórios de expressão portuguesa que já ascenderam ou venham a ascender à independência".
•Incendiada a sede do MDP em Ponta Delgada.
 

7 de Agosto
•Nove membros do CR (Melo Antunes, Vasco Lourenço, Sousa e Castro, Vítor Alves, Pezarat Correia, Franco Charais, Canto e Castro, Costa Neves e Vítor Crespo) entregam ao PR um documento, que recusa quer as vias totalitárias, quer as sociais- democratas. Fica conhecido como Documento dos Nove.
•É promulgada a Lei nº9/75 que determina que "o julgamento dos implicados na tentativa contra-revolucionária de 11 de Março de 1975 é da competência de um tribunal militar revolucionário".
 

8 de Agosto
•Toma posse o 5º Governo Provisório, chefiado por Vasco Gonçalves. Na cerimónia de investidura o PR declara: "A solução que hoje vos apresento é uma medida transitória, um Governo de passagem que espero seja a pausa política para, em clima de ordem, disciplina e trabalho, se poder construir algo de mais definitivo".
•Reunião dos Chefes de Estado Maior dos três ramos das Forças Armadas com o Directório, para discutir o castigo a aplicar aos nove oficiais autores do Documento dos Nove.
•O Jornal Novo publica o Documento dos Nove.
•O Jornal publica uma carta aberta de Mário Soares a Costa Gomes. Mário Soares pede a demissão de Vasco Gonçalves e nega categoricamente que a opção da política portuguesa fosse entre revolução ou reacção, o que é entendido como sendo um claro apoio ao Documento dos Nove.
•Otelo Saraiva de Carvalho e Carlos Fabião denunciam a vaga de assaltos que grassa no Norte em nome do anticomunismo.
•O Conselho de Ministros aprova as leis que nacionalizam a CUF, a SOGEFI, a SETENAVE, a Sociedade Geral do Comércio, e as Indústrias de Transportes e de Cervejas.
•O trabalhador agrícola José Diogo é condenado presente ao tribunal de Beja sob a acusação de ter morto o seu ex-patrão, o latifundiário Columbano Monteiro. Em resposta a Associação dos Ex-Presos Políticos Antifascistas (AEPPA) organiza  um comício onde se apela "contra a justiça burguesa justiça popular".
 

9 de Agosto
•Apelo de Vasco Gonçalves à construção de uma frente que englobe os "portugueses interessados no socialismo".
•O Conselho Mundial da Paz denuncia uma conspiração imperialista contra Portugal.
 

10 de Agosto
•O embaixador americano, Frank Carlucci, avista-se com Costa Gomes antes da sua partida para Washington.
•Nos Açores iniciam-se as emissões regulares de televisão, com a inauguração oficial da RTP no arquipélago.
•Em Timor, a UDT desencadeia um golpe armado ocupando o quartel da polícia e outros pontos estratégicos da cidade de Dili.
 

11 de Agosto
•O Directório suspende das actividades do CR os oficiais que assinaram e difundiram o Documento Nove.
•Circular do COPCON  às unidades militares em que se fala "das ocupações de natureza selvagem, oportunista e mesmo contra-revolucionária".
•Em Lamego e Braga realizam-se manifestações de apoio à Igreja Católica. Em Braga, depois de um discurso violento do Arcebispo Primaz D. Francisco M. da Silva, ocorrem graves incidentes que culminam com o assalto e destruição da sede do PCP, tendo-se verificado 15 feridos.
•O Documento dos Nove é publicado e posto à discussão nas unidades, pelo Gabinete de Coordenação do MFA na Força Aérea.
 

12 de Agosto
•Face à repercussão do Documento dos Nove, a nível militar e civil, Otelo Saraiva de Carvalho propõe uma alternativa de esquerda a esse documento o qual, segundo ele, "rejeitando a democracia popular e muitas das conquistas dos trabalhadores, se transformava num paliativo de direita, facilitando assim a recuperação do capital e do fascismo". Surge então o Documento do COPCON  intitulado(«Autocrítica revolucionária do COPCON e proposta de trabalho para um programa político»), redigido por Mário Tomé e inspirado ainda pelas organizações PRP/BR, MES e UDP. 
•A 5ª Divisão, pela voz de Varela Gomes, ataca violentamente os Nove, que pretende colocar sob a alçada dos regulamentos militares. Por outro lado, pede a punição de Vasco Lourenço por ter feito a reunião de 23 de Julho.
•É publicado o D. L. nº 425/75 o que cria o Tribunal Militar Revolucionário previsto na Lei nº9/75 de 7 de Agosto e determina a sua composição e funcionamento.
•No assalto à sede do PCP em Viseu  regista-se um morto e quatro feridos em estado grave. São também assaltadas as sedes locais do MDP, FSP, MES, UDP e PRP.
•Em Timor, iniciam-se os confrontos entre a UDT e a FRETILIN.
•Panfleto do ELP que apela a "acções de represália recorrendo a todos os meios..." 
•O Governo clandestino dos Açores assegura, em comunicado, que pensa recorrer à violência para conseguir os seus objectivos.
 

13 de Agosto
•Otelo Saraiva de Carvalho convoca uma reunião, no Quartel-General da RML, onde reitera a sua confiança nos comandantes das Regiões Militares Centro e Sul, promete tudo fazer para obter a reintegração dos oficiais suspensos do CR, e tenta a aprovação do seu documento. Tal não é conseguido. 
•O general Pinto Soares, que desempenhou papel importante na tentativa de recompor o triângulo Nove/COPCON/Gonçalvistas, demite-se de Director da Academia Militar e do CR. Volta a ser eleito para o CR em 8 de Setembro.
 

14 de Agosto
•Otelo Saraiva de Carvalho e representantes do Grupo dos Nove iniciam uma série de reuniões tendentes à elaboração de um documento de convergência do Documento dos Nove e do Documento do COPCON.  Chamar-se-á Plano Político do MFA e será redigido por Melo Antunes. Em representação do Grupo dos Nove participam nas reuniões: Vasco Lourenço, Melo Antunes, Vítor Crespo, Vítor Alves, Sousa e Castro, Costa Neves, Mário de Aguiar, Lourenço dos Santos, Costa Brás e Garcia dos Santos.
•O PCP realiza um comício no Pavilhão dos Desportos em Lisboa. Coloca o acento tónico na luta contra a reacção e a violência e apela para a unidade de todos os democratas numa grande frente anti-fascista.
•Varela Gomes sai da 5ª Divisão.
•O Directório proíbe militares de dar entrevistas.
•São nacionalizadas a COVINA e as Pirites de Aljustrel.
•No Lobito (Angola) registam-se violentos confrontos entre o MPLA, a FNLA e a UNITA  provovando um elevado número de mortos e feridos.
 

15 de Agosto
•O PPD e o PS realizam uma manifestação de apoio ao "Grupo dos Nove" a palavra de ordem mais ouvida é: «Ninguém nos demove, estamos com os Nove».
•A 5ª Divisão apoia o Documento do COPCON.
 

16 de Agosto
•É publicado o D. L. nº437/75 que  define pela primeira vez em Portugal  "o regime do instituto jurídico da extradição".
•Chegam a Lisboa cerca de 250 refugiados de Timor. Entretanto o Governo português anuncia que tenciona manter Timor sob administração portuguesa até 1978, altura em que o território se tornará independente.
 

17 de Agosto
•Os Comandantes de grande parte das unidades da RMN reúnem secretamente e decidem entrar de prevenção rigorosa, sem conhecimento de Eurico Corvacho, para forçar a sua demissão. Entretanto,  o "Grupo dos Nove" desenvolve constantes contactos com os comandantes das Regiões Militares do Centro e Sul para o que são destacados respectivamente Sousa e Castro e Ramalho Eanes. Estes deveriam estudar o plano das operações militares que previa, em última instância, a deposição pelas armas do PR, caso se opusesse à demissão de Vasco Gonçalves.
 

17 e 18 de Agosto
•As sedes do PCP são atacadas em Alcobaça, e Ponte de Lima, onde é morto um militante deste partido. Entretanto em Ponta Delgada, estendem-se os assaltos às sedes de todos os partidos de esquerda.
 

18 de Agosto
•Num comício realizado em Almada, Vasco Gonçalves profere um discurso que é transmitido pela televisão para todo o país: " Membro do Directório, não exporei o meu ponto de vista sobre o que se passa no seio das nossas Forças Armadas. Não o farei por razões de ética militar e por dignidade. E sobretudo porque sou membro do MFA. Questões de moral, portanto, já que, para mim, Moral e Política vão de par".
•Num plenário de trabalhadores do Diário de Notícias são suspensos 24 jornalistas acusados de terem assinado um documento que criticava a orientação ideológica do jornal, tida como próxima do PCP. 
 

19 de Agosto
•O Secretariado da Intersindical convoca uma greve de meia hora, (das 11h às 11,30h)  "como protesto contra a violência e o avanço da reacção".
•Eurico Corvacho é substituído interinamente como Comandante da RMN por Agostinho Ferreira. Será reintegrado a 26 de Agosto.
•Reunião, em S. Julho da Barra, presidida por Costa Gomes e em que participam o Grupo dos Nove e Otelo Saraiva de Carvalho, para discussão do Plano Político do MFA.O PR apoia o documento e propõe-lhes que procedam a diligências para a formação do 6º Governo, cuja presidência caberia a Carlos Fabião (por proposta do Grupo dos Nove), alegando «precisar de alguns dias para preparar a queda do quinto».  
•É gorada uma última  tentativa de reunião no Restelo entre militares afectos a Vasco Gonçalves e ao Grupo dos Nove.
•Graves acontecimentos no território de Timor quando algumas unidades militares de Dili aderem à FRETILIN.
•Destruídas as sedes do PCP em Ponta Delgada e as sedes do PCP MDP/CDE e do MES em Angra do Heroísmo. Foi o início da destruição dos centros de trabalho do PCP que se sucederam nos dias seguintes, noutras localidades. Muitos dos dirigentes locais do PCP foram expulsos para Lisboa. A planificação das operações anti-comunistas foi obra da FLA. (JSC)
 

20 de Agosto
•Comunicado do Secretariado do MFA da Armada manifesta o seu apoio ao 5º Governo. Defende uma «Frente Unida Socialista», assim como o Documento Guia Aliança Povo-MFA e ainda o Documento do COPCON  e não faz qualquer referência ao Documento dos Nove .
•Em Lisboa, convocada por Organizações Populares, realiza-se uma manifestação de cerca de 100 000 pessoas, em apoio ao Documento do COPCON. Segundo o Daily Express incorporam-se nessa manifestação militantes da extrema esquerda italiana, inglesa, alemã e espanhola. Apesar da convocação ter partido da extrema-esquerda, o PCP adere discretamente.
•É publicada legislação de trabalho que restringe o conceito de "justa causa" em matéria de despedimento.
•A FRETILIN inicia a luta armada em Timor.
•A Reforma Agrária prossegue no Alentejo. No distrito de Évora são ocupadas por trabalhadores agrícolas de Vendas Novas, com a colaboração  de militares da EPA, 12 propriedades rurais.
•Assalto à sede do MDP/CDE,  e tentativa de assalto à sede da União dos Sindicatos, no Porto.
•Vítor Alves, Vasco Lourenço e Melo Antunes reúnem-se com Carlos Fabião para trabalhar na formação do 6º Governo Provisório.
•Um comando armado do ELP liberta do Hospital Militar da Marinha o primeiro tenente Barbieri Cardoso e dois agentes da PIDE. O grupo era dirigido por Ângelo Nascimento ("Mota").
 

21 de Agosto
•Surgem rumores, apoiados pelo PCP e MDP/CDE, de que está em curso um golpe de direita, da iniciativa de unidades do Exército.
•Otelo Saraiva de Carvalho e Carlos Fabião encontram-se em Évora, para discutir com oficiais daquela RM o documento de convergência, tal como tinham feito na RMC. 
•É publicado o diploma legal que regula o acesso ao ensino superior nele se prevendo que o exame de aptidão seja substituído por um ano de orientação pedagógica.
•No Porto, fazem a sua apresentação pública 21 elementos da organização semi-clandestina Soldados Unidos Vencerão (SUV's).
•É incendiada no Porto a sede do MDP/CDE.
•Em Setúbal, a Quinta de Miravento é entregue pela proprietária ao IARN para alojamento de retornados.
 

22 de Agosto
•Reunião no Restelo do Grupo dos Nove com o Grupo do COPCON para nova discussão e eventual aprovação do documento de convergência. A reunião termina às seis da manhã em novo impasse. O afastamento de Vasco Gonçalves e a queda do 5º Governo são os únicos pontos de concordância.
•São nacionalizados a Petroquímica, o Amoníaco e os Nitratos.
•O Governo faz publicar o D. L. nº 458-A/75 pelo qual suspende parcial e transitoriamente o Acordo de Alvor, por considerar que "o Acordo tem sido, desde a sua celebração, objecto de frequentes violações por parte dos movimentos de libertação, numa manifestação da sua incapacidade de superarem divergências, em prol do interesse nacional angolano".
•É ocupada pelos trabalhadores rurais a Quinta da Marquesa (Alentejo) dada como abandonada há mais de trinta anos, para nela passar a funcionar uma Unidade Colectiva de Produção (UCP).
 

23 de Agosto
•Assaltadas e destruídas as sedes do PCP e do MDP em Bragança.
 

24 de Agosto 
•Reunião em S. Julião da Barra, que irá dar origem a dois comunicados do PR e a um comunicado da 5ª Divisão. 
Manifestação em Leiria e Vila Real de apoio ao Episcopado. Em Leiria são assaltadas as sedes de partidos de esquerda, registando-se um morto e vários feridos. As sedes do PCP são assaltadas em Faro e Arcos de Valdevez.
 

25 de Agosto
•Reunião do Directório com os chefes dos Estados Maiores, para discutir a questão da alternativa ao 5º Governo. Oposição frontal entre Carlos Fabião e Vasco Gonçalves. Este último não abdica do seu direito de veto e acusa Carlos Fabião de comprometimento com o Grupo dos Nove. Pinheiro de Azevedo e Morais e Silva retiram também o seu apoio. Perante a anunciada desistência de Carlos Fabião, decidiu-se:
 – Submeter à aprovação do CR a nomeação de Vasco Gonçalves para o cargo de CEMGFA e a designação de Pinheiro de Azevedo para Primeiro Ministro.
 – Reintegrar no CR os conselheiros suspensos, subscritores do Documento dos Nove.
•O CR reúne mais uma vez, mas ainda sem a presença dos elementos ligados ao Grupo dos Nove.
•Guerra de comunicados entre os oficiais do COPCON, que parecem esboçar uma aproximação com Vasco Gonçalves, e do Grupo dos Nove que exigem a sua demissão.
•O Conselho de Ministros decide a devolução dos terrenos baldios ao povo.
•Na noite de 24 para 25, com o objectivo de apoiar o Documento do COPCON, o poder popular e o 5º Governo, nasce a Frente de Unidade Popular (FUP), em reuniões sucessivas realizadas na sede do MDP/CDE e PCP e, finalmente, no Centro de Sociologia Militar. Dela fazem parte a FSP, LCI, LUAR, MES, MDP, PCP, PRP/BR e o Grupo 1º de Maio.
•Nova manifestação anticomunista em Leiria. É assaltada a sede do MDP. Registam-se um morto e vários feridos.
•Prossegue a violência nos Açores. Forças políticas de esquerda são atacadas e as suas sedes encerradas. Os membros do PCP são expulsos da Horta.
•É publicado o primeiro número do jornal A Luta dirigido por Raul Rego.
•É criada a Junta Militar que passará a assegurar a governação de Angola.
•Em Timor o Governo, com um efectivo de 100 militares, transfere-se para a ilha de Ataúro.
 

26 de Agosto
•Elementos afectos a Vasco Gonçalves  reúnem-se no Palácio de Belém com representantes do Grupo dos Nove, mas não chegam a qualquer acordo de fundo. A resolução da crise fica, assim, adiada para a Assembleia do MFA a realizar brevemente em Tancos.
•A violência prossegue em Leiria. São assaltadas as sedes da FEC-ml e da LCI. O PCP consegue evitar o assalto à sua sede.
•A nota informativa semanal do SDCI revela o aparecimento no Norte das Forças Armadas Democráticas (FAD), uma organização fantasma, englobada na manobra psicológica anti-comunista É no entanto indiciadora da forte implantação do ELP nos distritos de Porto, Bragança e Viseu. (JSC)
 

27 de Agosto
•Costa Gomes, dando crédito às acusações de que a FUP havia sido constituída a partir do Centro de Sociologia Militar, decide o encerramento da 5ª Divisão, para "reestruturação" e dá conhecimento da decisão a Ramiro Correia. Numa operação surpresa, planeada pelo COPCON e executada pelo Regimento de Comandos, os edifícios onde está instalada a 5ª Divisão são assaltados. A 5ª Divisão é definitivamente encerrada.
•Carta de Otelo Saraiva de Carvalho a Vasco Gonçalves. Entre outras coisa escreve: "Agora, companheiro, separamo-nos (...) Peço-lhe que descanse, repouse, serene, medite e leia" .
•O Governo faz publicar o D. L. nº 463/75 no qual se prevê a substituição das antigas "comissões corporativas" pelas "comissões de conciliação e julgamento"  destinadas a solucionar as questões resultantes das relações individuais de trabalho.
•Manifestação unitária convocada pela FUP, a qual marca simultaneamente o desmoronar da frente recém-formada. Entre outras palavras de ordem, grita-se: «Avançar, avançar poder popular...». Em Belém, onde a manifestação termina, parte dos manifestantes começa a gritar «Vasco, Vasco». O PRP abandona imediatamente o local, enquanto outros partidos protestam contra o que consideram ser uma tentativa de manipulação do PCP.
•No Porto militantes do PS manifestam-se contra a permanência de Eurico Corvacho à frente da RMN.
 

28 de Agosto
•O PCP, em conferência de imprensa, propõe um encontro a nível militar e civil para clarificar a situação e abandona a FUP.
•Almeida Santos desloca-se a Djakarta para conversações. Anuncia-se que, em Timor, a guerra civil fizera já 2000 mortos e que parte da população, para fugir à guerra, começara a refugiar-se na zona indonésia de Timor. A Lisboa chegaram entretanto mais 3000 refugiados.
•El Mundo, jornal publicado em Caracas (Venezuela), revelou que o presidente do Comité Internacional Pro Defesa da Democracia (CIPDEM), Félix Martinez Suarez, em colaboração com Mário Mendes da Fonseca, secretário do CIPDEM e dirigente do MDLP, tinham organizado uma recolha de fundos, entre os emigrantes portugueses, em mais de dez países latino-americanos destinada a comprar armas que através da fronteira de Espanha chegariam a Portugal para "ajudar o povo que luta pela sua liberdade frente à minoria militar comunista". A mesma fonte informava que a recolha de fundos era já muito significativa  e que continuaria a fazer-se. (JSC)
 

29 de Agosto
•Oficiais da 5ª Divisão denunciam o carácter reaccionário da acção do COPCON.
•Reunião do CR: "ratifica as decisões do Directório, encarregando o Almirante Pinheiro de Azevedo de formar governo". Decorreu sem a presença dos conselheiros do Grupo dos Nove, o que motivou um comunicado destes, dessolidarizando-se das decisões que viessem a ser tomadas, especialmente a nomeação de Vasco Gonçalves para CEMGFA.
 

30 de Agosto
•O almirante Leonel Cardoso é nomeado Alto Comissário para Angola em substituição do general Silva Cardoso.
 

31 de Agosto
•O general Morais e Silva emite uma directiva na qual, a propósito de uma reestruturação do MFA, extingue o Gabinete de Coordenação do MFA  (GABCMFA). 
•Recrudesce a guerra civil em Angola. A FNLA e a UNITA unem-se em diversas zonas do território. Intensifica-se o retorno de nacionais vindos de Angola. São cerca de 700 os retornados que chegam diariamente a Portugal através da ponte aérea estabelecida com Nova Lisboa. Vários países europeus e os EUA auxiliam Portugal na organização desta ponte aérea.
•A África do Sul invade o Sudoeste de Angola.
•Realiza-se em Lisboa o primeiro Congresso da LUAR.
 

Ainda em Agosto
•Cerca de 6000 culatras de G.3 são transportadas pelo Regimento da Polícia Militar para a RMC. A ordem terá sido dada pelo CEME, Carlos Fabião, e por Otelo Saraiva de Carvalho, Comandante do COPCON, e tinha como consequência inevitável o enfraquecimento daquela força de intervenção.
•Frank Carlucci desloca-se frequentemente aos EUA para informar as autoridades americanas sobre a evolução política de Portugal. Estas viagens regulares manter-se-ão também ao longo do mês de Setembro.
•Os comandantes militares da Madeira comunicam ao Presidente Costa Gomes que a independência da Madeira é uma hipótese que terá bastante viabilidade no caso do general Vasco Gonçalves se manter no cargo de Primeiro Ministro. (JSC)
•Regista-se um atentado bombista nos estúdios da Emissora Nacional, reivindicado pela autodenominada UNIRAMA a qual distribui uma grande quantidade de panfletos intitulados Madeira Livre. (JSC)
•Surge em profusão propaganda dos "Viriatos". (JSC)
•O SDCI referencia em Vigo um elevado número de ex-pides. (JSC)
•Nos Açores é criado o Exército de Libertação dos Açores, braço armado da FLA, e constituído basicamente por civis mas apoiado também por militares a cumprirem serviço naquele arquipélago. (JSC)
•São profusamente distribuídos, no norte e centro do país, panfletos das Brigadas Anti-totalitárias (BAT).  (JSC)
•O SDCI revela que o ELP está solidamente implantado no Porto, Bragança e Viseu. (JSC)
•Aparecem panfletos assinados pelas F. A. Democráticas e em oposição ao MFA. (JSC)
•Reunião da FLA nas Canárias. É decidido que o caminho para a independência pode ser abandonado a curto prazo se em Portugal se consolidar a linha do Grupo dos Nove.  (JSC)
•É publicado pelo MDLP, e largamente difundido pelo país, um folheto de seis páginas que inclui uma carta dirigida por António de Spínola ao Presidente da República, general Costa Gomes, anunciando "uma cruzada branca contra as hostes vermelhas". (JSC)
•Dissidências dentro do MDLP levam o comandante Alpoim Calvão a criar a Força de Acção Especial (FAE) em oposição à RAI, posta em funcionamento pelo major Morais Jorge o qual viria a desligar-se do MDLP e actuar por conta do ELP. (JSC)
•É publicado o primeiro número de Libertação, órgão do ELP. A partir de então publicará regularmente, vários números. (JSC)

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