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Coleções - Legislação - Costa Gomes na C. M. L. (5/10/74)

COSTA GOMES NA C. M. L.

(5/10/74)

A marcha da História é um contínuo fluir do presente, por isso necessitamos de ter os olhos postos no futuro com clarividente extrapolação das lições do passado.
Esta necessidade dá sentido profundo a comemorações como as do dia de hoje, que encerram denso conteúdo histórico.
Em 5 de Outubro alvorece a I República derramando a esperança no peito dos republicanos que se batiam pela criação de instituições democráticas.
O curso da I República foi dificultado e depois interrompido até 25 de Abril, condenado pelo aparecimento de vários factores dos quais recordarei quatro:
- A crise económica mundial posterior à I Grande Guerra, cujos reflexos se agudizam em Portugal.
- Divisionismos verificados nas fileiras dos republicanos democratas.
- Infiltração nas instituições de homens sem princípios nem fé democrática.
- Incúria da administração no esclarecimento do povo, em especial da sua juventude.
Pois bem. Se temos os olhos postos no futuro democrático do País haveremos de meditar profundamente nesta efeméride tão significativa.
Recolhamo-nos em respeito ao recordar os velhos republicanos democratas que de coração quente e espírito puro tornaram possível a esperança na 1.ª República.
Mas não deixaremos de considerar os factores centrífugos que ditaram o seu termo criando um fenómeno de desagregação social cuja repetição haveremos de impedir. Mantenhamo-nos empenhados na criação acelerada de condições económico-financeiras que garantam a todos os portugueses a satisfação do direito ao trabalho e condições justas de distribuição da riqueza produzida. Atentar contra uma vivência socioeconómica tranquila, e sobretudo justa, é atentar contra todos os trabalhadores.
Criar ou contribuir para divisionismos entre correntes de pensamento ou acção democrática, no sentido superior e digno do conceito democrático, é atentar contra um futuro onde floresce a dignidade humana.
Incluir ou manter nas instituições homens que demonstrem incapacidade de se adaptar ao espírito do M. F. A. é entravar o caminho à democracia pluralista que tal espírito nos ofereceu.
Não cultivemos o espírito mesquinho da denúncia, mas sejamos tranquilamente firmes na reclassificação e selecção de homens dispostos a servir o seu povo nos postos essenciais da acção democratizante.
Finalmente sejamos puros e sinceros ao informar o nosso povo, a nossa juventude, esclarecendo as vias que conduzirão Portugal a uma verdadeira democracia em liberdade autêntica.
Terminarei, dirigindo-me a todos os presentes para saudar neles todos os vivos e os mortos que contribuíram para a primeira experiência democrática iniciada no 5 de Outubro, e para a alvorada da segunda, que se iniciou em 25 de Abril.
Que na variedade de opiniões que a verdadeira democracia consente possamos encontrar uma unidade pluralista que crie a todos os portugueses uma vida futura digna de ser vivida.

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