'Nós estamos contigo na casa' | Arquivos, trabalho doméstico e ação coletiva | 6 e 7 de fevereiro 2026

Lisboa acolhe encontro internacional sobre trabalho doméstico, arquivos, autogestão e práticas artísticas

 

Investigadoras, escritoras, artistas do cinema e das artes visuais, trabalhadoras domésticas e dirigentes associativas e sindicais reúnem-se em Lisboa, nos dias 6 e 7 de fevereiro, para um encontro dedicado ao trabalho doméstico e de limpeza, às formas de auto-gestão e ao sindicalismo, a partir de arquivos históricos e testemunhos reais.
 
"Nós estamos contigo na casa" visa reunir, a 6 e 7 de fevereiro, investigadoras, escritores e artistas no cinema e artes visuais, trabalhadoras domésticas e dirigentes associativas / sindicais. A partir de arquivos e pesquisas de terreno, juntamo-nos em torno dos temas do trabalho doméstico e de limpeza, migrações e informalidade, auto-gestão e sindicalismo. 
 
Este encontro resulta do projeto A Voz das Trabalhadoras — Os Arquivos do Sindicato do Serviço Doméstico (1974–1992), que foi um dos 20 projetos selecionados a integrar as comemorações oficiais dos 50 anos do 25 de abril pela Comissão Comemorativa

No dia 6 de fevereiro, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa (FCSH), a investigadora e teórica feminista Leopoldina Fortunati estará presente para apresentar a recente edição de uma das obras clássicas do feminismo italiano de inspiração marxista, numa conversa com a economista política Alessandra Mezzadri, professora da SOAS, Universidade de Londres. O título da conversa será: Donas de casa, prostitutas, operários e capital: O arcano da reprodução, 45 anos depois.

Ainda durante a manhã, o escritor Manuel Abrantes falará sobre o processo de criação do romance Na terra dos outros, construído a partir da sua investigação sobre o trabalho doméstico, refletindo também sobre a receção pública do livro e sobre as apresentações como momentos de partilha autobiográfica e política. Tânia Dinis e Inês Sapeta Dias abordarão a presença — ou o silêncio — das mulheres trabalhadoras domésticas na história, na memória política e no cinema. 

À noite, o programa estende-se à Casa do Comum, com a exibição do filme Le Balai Libéré, da realizadora belga Coline Grando, que estará presente. O filme retrata uma luta coletiva protagonizada por trabalhadoras da limpeza numa universidade belga. A sessão será mediada por Sofia Lemos Marques, mediadora do Cinema Batalha e membro da associação MUTIM.

No sábado, 7 de fevereiro, o encontro decorre no Centro Cultural de Cabo Verde, na Rua de São Bento — a mesma onde funcionou, durante décadas, o Sindicato do Serviço Doméstico, espaço central da memória das lutas destas trabalhadoras em Portugal.

O segundo dia inclui a apresentação da investigadora Susana P. Miranda sobre o movimento de luta das trabalhadoras da limpeza em Toronto, no Canadá, um processo coletivo que viria a ser homenageado com um mural do artista Vhils, tornando visível no espaço urbano uma história de organização e resistência laboral.

O programa integra ainda uma peça de teatro-fórum, criada e interpretada por trabalhadoras domésticas migrantes do grupo Se.Do, utilizando o Teatro do Oprimido como ferramenta de reflexão crítica e intervenção política, bem como a apresentação de um projeto cinematográfico, desenvolvido com estudantes da Escola das Artes do Porto, com a apresentação a cargo realizadora Cláudia Varejão. O filme chama-se "depois do jantar cheira a lixívia" e é centrado na história das empregadas domésticas e do sindicato.

Ao longo dos dois dias, o encontro promove um diálogo entre práticas artísticas, investigação académica, memória coletiva e ação política, convocando o arquivo como espaço vivo de conhecimento e transformação social.
 
Tem o apoio da Transform!europe (financiada pelo Parlamento Europeu), da FCT, do CICS.Nova e do IHC. 
 
Programa completo disponível aqui.
 
Formulário de Inscrição (gratuita) disponível aqui.